terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tintim e a Alfa-Arte 45

Tintim precisa urgentemente de ajuda. Então... dá neles, Haddock!!!

Curiosidade

No quadrinho D1, o termo utilizado por Haddock para xingar os bandidos na versão original (em francês) é Tonnerre de Brest. O termo, que traduzido quer dizer "trovão de Brest", se refere aos canhões utilizados para anunciar a abertura e fechamento do arsenal do Castelo de Brest. Em inglês, é utilizada a expressão thundering typhoons, ou "trovejando tufões".

Em outros álbuns de Tintim, como No País do Ouro Negro e O Segredo do Licorne (da editora Record), o insulto é traduzido também por "com mil raios" e "com mil demônios".

domingo, 6 de dezembro de 2009

A Evolução da Alfa-Arte Final

Nesta quarta e última parte do nosso especial, você poderá fazer, por si só, uma análise mais profunda das diversas versões de Tintim e a Alfa-Arte. Comparando as imagens abaixo, é possível notar a verdadeira evolução do álbum de Hergé, desde seus esboços um pouco indefinidos, passando pelos rascunhos não finalizados e por fim chegando à versão pastiche que conhecemos hoje.

O começo: Hergé fazia anotações e registrava pensamentos nas páginas de esboços. Como pode ser visto no amontoado de papéis que deixou, o artista teve várias ideias - muitas delas descartadas - para compor aquela que seria a 24ª aventura de Tintim.

Um mestre no lápis: O segundo passo era transformar aqueles rabiscos em formas mais concretas. Infelizmente, a leucemia só permitiu que o cartunista chegasse a esta fase em três das quarenta e duas páginas que havia esboçado. Abriu-se um caminho para amantes da arte e aproveitadores...

A pressa é inimiga da perfeição: Na esperança de ganhar uns trocados em cima do nome de Hergé, o artista que assinava como Ramo Nash completou sua versão logo após a publicação dos esboços pela Casterman. O resultado foi um álbum com gráficos malfeitos, como dá pra ver na imagem acima. Obviamente aquilo não agradou aos tintinófilos, sedentos por uma nova aventura.

Trabalho profissional: Muito rara de se encontrar, a versão dos estudantes de Belas Artes de Paris é uma das mais detalhadas (por exemplo, repare o picapau do penúltimo quadrinho!). Só há um porém: eles não finalizaram o álbum, em respeito à memória de seu autor.

Ele foi além: Yves Rodier não se contentou com as versões anteriores e resolveu finalizar o álbum. Publicado como "homenagem a Hergé", este pastiche traz uma continuação às 42 páginas de Hergé, finalizando a última aventura de Tintim em harmonia com estilo de seu criador.

Versão brasileira: Há pouco menos de um ano, o blog As Aventuras de Tintim decidiu publicar, pela primeira vez em português (e recolorido), a versão de Rodier do álbum de Hergé. Exceto em casos raros, uma página é publicada por semana, levando aos brasileiros a oportunidade de conhecer um pastiche de Tintim, que não deixa de ser uma obra póstuma, uma herança de Hergé.

Referências

Serviram como fontes de pesquisa para este especial:

  • Tintin es Vivant - www.naufrageur.com
  • Wikipedia - www.wikipedia.org
  • Tintim e a Alfa-Arte - Cia das Letras, 2008
  • Tintín CFH - www.losforos.es
  • Para descubrir Tintin- www.free-tintin.net
Todas as imagens de Tintim e Hergé utilizadas neste especial, bem como no restante do blog, salvo referências, são de propriedade exclusiva da Moulinsart S.A., sendo utilizadas aqui apenas como referência. O blog não se responsabiliza pelo uso que terceiros possam fazer das mesmas.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Steven Spielberg revela segredos da adaptação cinematográfica de Tintim

O jornal Le Monde, da França, trouxe nesta quinta-feira, 3 de dezembro, uma edição especial, onde o diretor e produtor americano Steven Spielberg fala sobre o projeto de levar Tintim ao cinema. As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne, o primeiro de uma trilogia baseada na obra de Hergé, deve chegar em outubro de 2011 nos cinemas brasileiros e europeus.

Spielberg conta que foi graças a Indiana Jones que ele descobriu Tintim, um herói pouco conhecido nos Estados Unidos. "Em 1981, eu li uma crítica de 'Os Caçadores da Arca Perdida' que comparava meu filme a um tal de Tintim", diz o diretor. "Eu não entendi! (...) Então providenciei um dos álbuns de Tintim e aí pensei: "Agora eu entendo!"

Spielberg leu primeiro O Caranguejo das Tenazes de Ouro e, imediatamente, ficou impressionado: "Eu não entendo francês, mas eu entendi tudo o que a história contava. Quando eu li a tradução inglesa, já compreendia o humor, o que diz muito sobre a força de sua arte! E é exatamente isso o que Peter Jackson e eu queremos homenagear com os nossos filmes sobre Tintim".

No começo de 1983, Spielberg entrou em contato com Hergé por telefone, e este, que tinha visto Indiana Jones, ficou convencido de que Spielberg seria o melhor cineasta para transferir sua obra para a telona. Mas infelizmente Hergé morreu poucas semanas depois, em 3 de março de 1983, e o projeto foi por água abaixo.

Em 2002, por meio da DreamWorks, seu estúdio, Spielberg adquiriu os direitos de todos os álbuns de Tintim. A trama do primeiro filme combina duas [?] aventuras, O Segredo do Licorne e O Caranguejo das Tenazes de Ouro. Haddock aparece pela primeira vez em 'O Caranguejo': "Peter Jackson e eu concluímos que não deveríamos apresentar o Capitão Haddock ao mundo ao mesmo tempo que Tintm".

O cineasta sabe que será cobrado pelos fãs sobre como adaptará o repórter e seu universo no filme. Além disso, uma razão para que ele desistir do projeto, no início dos anos 1980, foi o "pelo medo da caracterização dos atores". O medo também descrever "um mundo que não existe".

Nada de cortar o topete!

Encontrar atores que parecessem com Tintim não seria fácil. Mas o tempo passou e a tecnologia digital ofereceu uma nova possibilidade: os personagens podem ser uma mistura de desenhos e atores em carne e osso. Com a técnica de captura de movimentos, os atores não precisaram de cenários ou figurinos, apenas de sensores presos no corpo para registrar seus movimentos. Depois dessa parte, que já foi concluída por Spielberg, começou um trabalho que levará quase dois anos: digitalizar cada quadro e trazer para a tela a estéticaa das HQs - as características dos rostos, roupas, objetos, etc. Conforme disse o disse o diretor, em 2007, serão "pessoas reais, mas na visão de Hergé".

"Peter Jackson e eu temos a oportunidade para homenagear a arte de Hergé, seu tom, sua paleta de cores, seus personagens", afirma Spielberg. Ele nega que tenha planejado pôr fim ao famoso topete Tintim, como foi dito em certa época. E acrescenta: "A linguagem corporal é muito importante. Está fora de questão tocar [no topete de Tintim]. Nós respeitamos religiosamente a arte de Hergé".

Spielberg confessa que dirigir o filme foi uma experiências "mais divertidas" de sua vida. Mas ele afirma que não se identifica tanto com Tintim. "Eu não tenho a tenacidade dele. Não consigo me concentrar em uma coisa só, porque eu tenho uma família numerosa, e um grande estúdio para gerir. (...) Eu me sinto mais como o Milu".

Agradecimentos ao site Objectif Tintin.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Evolução da Alfa-Arte III: Entrevista Exclusiva com Yves Rodier

Como parte do especial A Evolução da Alfa-Arte, confira agora uma entrevista exclusiva com o desenhista canadense Yves Rodier. Nascido em Quebec, Canadá, em 1967, Rodier atualmente vive na França com sua esposa.

Nesta conversa, ele nos conta como começou a criar a mais famosa versão "completa" da Alfa-Arte, além dos desafios que enfrentou e os frutos colhidos através de seu excelente trabalho. O artista nos fala também sobre seu trabalho atual com quadrinhos (ou bande desinée), e nos dá uma prévia de sua nova obra, a ser lançada no ano que vem.

No final da entrevista, o responsável pelo pastiche Tintim e a Alfa-Arte, publicado aqui semanalmente, deixou um recado para os tintinófilos brasileiros. Confira agora este bate-papo:

- Quando você começou a gostar de Tintim?
Desde a minha infância, eu sempre li Tintim! Mesmo quando não sabia ler, pedia a minha mãe e aos meus irmãos mais velhos para ler os álbuns! Estes eram os álbuns dos meus irmãos.
- E você já desenhava nessa época?
Comecei a desenhar com a idade de dois anos e meio! Eu tentava copiar os desenhos do meu irmão Michel.
- Como reagiu à notícia da morte de Hergé, em março de 1983? Já sabia algo sobre "Tintim e a Alfa-Arte"?
Não me lembro de ter escutado tanto sobre morte de Hergé quando esta aconteceu... Eu tinha 15 anos na época e estava em um período bastante musical, tinha uma banda de rock e tocávamos músicas dos Beatles. Eu soube da existência da Alfa-Arte pouco tempo antes do lançamento do livro reunindo os esboços de Hergé, em outubro ou novembro de 1986.
- Você chegou a conhecer outras versões "completas" de Tintim e a Alfa-Arte? O que achou delas?
Sim, eu comprei a versão "Ramo Nash" em 1989! Além disso, quando soube da existência deste álbum, eu pensei: "Bem, eu não vou precisar terminar o meu, alguém já fez isso..." Mas quando vi os desenhos deste álbum, fiquei um pouco decepcionado, e voltei ao trabalho, sabendo que a minha versão seria melhor.
- Por que decidiu fazer sua própria versão do álbum? Enfrentou algum desafio, achava que realmente conseguiria "completá-lo"?

Quando eu ouvi dizer que o álbum "Tintim e a Alfa-Arte" seria publicado em 1986, sabendo que Hergé estava morto, pensei que seria completado por Bob de Moor, o assistente nº 1 de Hergé. Mas quando soube que esta seria uma coleção de desenhos de Hergé, além da transcrição de seu roteiro, eu disse: "Vamos lá! Eu mesmo vou terminá-lo! Alguns meses de trabalho e esta será uma boa escola para mim, para aprender o ofício de autor de histórias em quadrinhos." Eu não sabia o tanto de trabalho que isso representava, e o desafio que tinha colocado em meus ombros! Levei 5 anos para completar o trabalho!... Mas foi uma grande escola!
- Você ainda era muito jovem quando começou sua adaptação. Lembra exatamente quando começou e quando finalizou o pastiche?
Sim, eu tinha 19 anos quando comecei, em dezembro de 86 ou janeiro de 87, não me lembro muito bem. Terminei no final de maio de 91.
- Acha que conseguiu ser fiel ao estilo de Hergé? Baseou-se apenas nos esboços originais (publicados pela Casterman em 1986) ou utilizou outros álbuns de Hergé como base para os desenhos?
Eu tentei permanecer bem fiel ao estilo de Hergé, mas o estilo variou muito durante os 50 anos que Hergé deu vida a Tintin. Então eu peguei como modelo os últimos 5 ou 6 álbuns, onde o estilo é mais ou menos consistente (de "O Caso Girassol" a "Tintim e os Tímpanos", incluindo também a nova versão de "A Ilha Negra"), pois além de ter de aprender a desenhar exatamente como Hergé, eu também tinha que tentar compreender como Hergé contava uma história, para escrever o final do álbum em grande estilo!
- Houve uma tentativa de publicar o álbum como oficial, mas a Sociedade Moulinsart foi contra. O que realmente aconteceu?
Quando terminei o álbum, em 1991, primeiro apresentei para Bob de Moor [foto], que estava de passagem em Montreal para um Festival de HQ. Ele ficou muito impressionado, principalmente pela minha persistência, e apoiou meu pedido à Fundação Hergé (Moulinsart ainda não existia), para redesenhar o álbum, mais profissionalmente, com o Bob, mas sempre como "Homenagem a Hergé". Quando a Fundação recusou, porque poderia haver, segundo eles, uma confusão nas mentes dos leitores que poderiam crer que a série Tintim continuaria com novos desenhistas e escritores se o resultado parecesse "profissional" demais, então me propus a publicar minha versão do jeito que estava. Eles também recusaram, dizendo que Hergé foi claro em suas exigências, de que ninguém deveria continuar a dar vida a Tintim depois de sua morte, de maneira alguma. Eu respeito a decisão deles, e creio que me respeitam agora, porque sempre fui honesto com eles.
- Falando nisso, você está acompanhando o caso Moulinsart x Bob Garcia? Na sua opinião, quem está com a razão?
Não, não estou tão familiarizado com este caso. Mas estou contente se isso significar que os fãs de Tintim poderão ganhar mais liberdade para criar homenagens e obras de arte ou literatura em torno de seu herói, e se isso também significar que a Moulinsart terá que parar de monopolizar o personagem, e deixar que outras pessoas criem trabalhos sobre Tintim, sem lhes cobrar taxas absurdas para utilizar imagens com direitos autorais. Tintim é um herói de quadrinhos, não uma marca, ou uma máquina de dinheiro, como Moulinsart o tem feito ser.
- Sua versão da Alfa-Arte lhe abriu muitas portas, como a oportunidade de conhecer nomes como Bob de Moor e Greg. Dentre as realizações alcançadas em razão de sua obra, qual foi a mais significativa para você?
Eu diria que ver meu trabalho apreciado e reconhecido por pessoas tão importantes para mim como Bob de Moor e Greg me deu a coragem de seguir este caminho e tentar me tornar um desenhista de HQs de verdade, legítimo, e não apenas um "pasticheiro de Tintim". O que eu creio agora estar a ponto de se cumprir, com a minha série "Simon Nian", publicado pela Glénat, e minha futura série "El Spectro", o justiceiro lutador mexicano, a ser publicada pelas Editions du Lombard, em Junho de 2010!
- Hoje você trabalha com histórias em quadrinhos. Acredita que alcançaria o sucesso se a Alfa-Arte não tivesse passado pelo seu caminho?

Talvez, mas uma coisa é certa, ter concluído o Alfa-Arte atraiu muita atenção para mim, e me abriu muitas portas. Ainda hoje, quando dou autógrafos em Festivais de HQs, eu diria que 1/4 das dedicatórias que faço são das coisas de Tintim que eu desenhei há quase 20 anos!
- Por fim, quero lhe agradecer pela gentileza de conceder parte de seu tempo para esta entrevista. Agora, por favor, deixe uma mensagem para os tintinófilos brasileiros...
Estou contente em saber que Tintim, um herói com bons valores tradicionais, tais como a justiça, a honestidade, a bondade, sempre foi tão bem sucedido, em todo o Mundo, na América do Sul, e em particular no Brasil! Obrigado mantê-lo em seu coração! Viva Tintim!!! Viva Hergé!!!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sociedade Moulinsart x Bob Garcia: dois lados de uma guerra

Um caso polêmico tomou conta do mundo tintinófilo recentemente. A Sociedade Moulinsart, detentora universal dos direitos de Tintim, dirigida por Nick Rodwel (marido da viúva de Hergé, na foto à esquerda), continua inflexível com respeito ao uso de imagens e até citações sobre a obra de Heré. Depois de mover processos contra artistas que usaram de modo ilegal a imagem de Tintim e companheiros em suas obras, a briga agora é com Bob Garcia, membro da associação Les Amis de Hergé e criador da obra Les Aventuras de Saint Tin et sur ami Lou, em clara referência às Aventuras de Tintim e Milu.

Tudo começou depois que Garcia publicou cinco livros (em francês) sobre a obra de Hergé, sendo eles: Julio Verne e Hergé, de um mito ao outro; Tintim em Baker Street; Tintim no País do Polar; Biblioteca Imaginária de Hergé e Hergé e a 7ª Arte - todos os títulos em livre tradução. Quanto à publicação dos estudos, tudo bem. Mas há muito mais envolvido... Conheça agora cada lado dessa triste história, um embate entre a luta pela liberdade de expressão e os interesses comerciais de uma superpotência empresarial.

Moulinsart se pronuncia

Em comunicado divulgado em seu site oficial, intitulado "Bob Garcia: parasitismo econômico, falsificação e citação gráfica no centro das discussões", a Moulinsart acusa o autor de reproduzir, sem sua permissão, 'elementos e trechos da obra de Hergé, às vezes em grandes números'. Bob Garcia e a editora Promocom teriam feito isso por acreditar que aquelas cópias estavam 'dentro da exceção de citações curtas' (baseada na Convenção de Berna, 1974 - ratificada pela França) e, dessa forma, poderiam ser dispensadas de um pedido de autorização. A Moulinsart levou o caso à justiça francesa e, em 22 de maio de 2008, o Tribunal de Nanterre decidiu que "as reproduções de imagens tiradas do trabalho de Hergé poderiam se beneficiar da exceção de citações curtas".

Alegando que a legislação não fora estabelecida naquela área, a Moulinsart voltou aos tribunais no início de 2009. No dia 17 de setembro, o Tribunal de Versailles reverteu a decisão de primeira instância, concordando que, mesmo a reprodução de um quadrinho, ou tirinha, acompanhado de texto como citação, poderia ser considerada como a reprodução de uma obra de arte em sua totalidade - em outras palavras, uma falsificação. O Tribunal decretou que o título de "Tintin à Baker Street" e "Tintin au Pays du Polar" são falsificações de títulos da série de álbuns de Tintim, bem como as capas de todos cinco livros são versões falsas da obra de Hergé.

Bob Garcia se defende

Bob Garcia criou um blog onde fala sobre a ação judicial movida contra ele. Em resposta ao comunicado da Moulinsart, o escritor começa dizendo que foi vítima de mentiras e hipocrisia. Ele alega que o tribunal não aceitou as acusações de parasitismo e falsificação, visto que, na conclusão do caso, as únicas acusações que sofreu foram de "violação do direito moral do autor" e "violação dos direitos autorais". Garcia admite que publicou cinco pequenos estudos sobre Tintim, mas seu objetivo era "levar Tintim ao público jovem". Além disso, apenas dois dos livros traziam imagens não permitidas, sendo que a Moulinsart solicitou a remoção das figuras de um livro que não continha nenhuma.

Ao contrário do que disse a Moulinsart, Garcia afirma que não tinha interesse em lucrar sobre a imagem de Hergé, tanto que, segundo comunicado da romocom, eles não ganharam nenhum centavo com a distribuição dos volumes. Como membro da associação Amigos de Hergé, Garcia publica seus livros e artigos apenas de forma colaborativa, sem lucrar nada, e a Moulinsart sabe disso. Mesmo assim, Nick Rodwell resolveu entrar um recurso contra a editora e o autor, e Garcia foi condenado a pagar mais de 48 mil euros (cerca de 120 mil reais) por violação de direitos autorais.

O processo ainda gerou mais danos. A editora Promocon agora está à beira da falência, e Bob Garcia passa por uma triste situação financeira que, segundo ele, a Moulinsart "conhece muito bem". O escritor propôs, através de seu advogado, a prorrogação do prazo de pagamento. Em resposta, Rodwell disse através da imprensa que buscava uma solução "humana" a este "incidente lamentável", mas no mesmo dia exigiu a apreensão dos bens do autor, incluindo sua casa.

A Repercussão

Sites especializados em Tintim e jornais do mundo todo noticiaram a disputa entre Rodwell e Garcia. Alguns fãs de Tintim, em solidariedade ao escritor, chegaram até a cogitar um boicote aos produtos relacionados com Hergé, incluindo o filme que chega aos cinemas em 2011. Tudo isso em protesto contra a atitude da Moulinsart, que através de seu administrador, Nick Rodwell, vai de encontro com a liberdade de expressão. É bom ter cuidado, porque essa redoma criada ao redor de Tintim pode acabar por sufocá-lo, tornando o personagem esquecido.

Tintim e a Alfa-Arte 44

No final última página, você viu nosso destemido repórter a caminho de um destino incerto. Endaddine Akass e seus comparsas levavam Tintim até uma câmara onde ele seria afogado em poliuretano derretido... O que acontecerá com Tintim a seguir? Veja a página 44 e descubra...

Curiosidade

Conforme explicado na primeira parte do especial A Evolução da Alfa-Arte, o último quadrinho desenhado por Hergé está presente na página 42. É este que você vê na figura abaixo, onde Tintim é conduzido para a morte.

Dessa forma, a partir desta página (aliás, desde meados da página 43), a história é contada sobre o ponto de vista de Yves Rodier, que concluiu a versão do álbum que você lê semanalmente aqui.

sábado, 28 de novembro de 2009

A Evolução da Alfa-Arte II

Está no ar a segunda parte do nosso especial, onde você vai poder conhecer um pouco mais sobre as adaptações e diferenças presentes nas principais versões do álbum Tintim e a Alfa-Arte...

Ramo Nash

Em 1988, um artista sob o pseudônimo Ramo Nash publicou sua própria versão de Tintim e a Alfa-Arte. Esta foi a primeira vez que alguém decidiu "completar" o álbum, e isso poucas semanas após a publicação dos esboços originais pela Casterman.

O álbum foi colocado à venda e, em algumas semanas, a versão básica se tornou um objeto raro de se encontrar. Uma edição de "luxo", numerada de 1 a 150, foi reservada para alguns privilegiados. Apesar de trazer papel de alta qualidade e capa em cores vivas, o conteúdo do livro não agradou. Além de gráficos mal feitos, a história decepcionou no quesito originalidade.

Yves Rodier

Em 1991, o desenhista Yves Rodier concluiu sua própria versão do álbum, depois de cinco anos de trabalho. Ele começou ainda jovem, aos 19 anos, mas procurou ser o mais fiel possível ao estilo de Hergé. Na imagem abaixo você confere a arte da primeira capa (e contra-capa) oficial, presentes em 9 exemplares do álbum, de 1992 - o artista substituiu o lema "Hommage" (Homenagem) por "Héritage" (Herança).

Diversas edições do pastiche de Rodier foram publicadas, em preto e branco. O trabalho daquele jovem canadense agradou tanto que ele foi aprovado pelos amigos e colaboradores de Hergé, Edgard P. Jacobs e Bob de Moor. Pouco antes de sua morte, De Moor ainda tentou fazer desta versão parte do cânon oficial de Tintim, e publicar o álbum como "Homenagem a Hergé". Seu desejo era ajustar o pastiche de Rodier, contando com a ajuda de Greg no aprimporamento do roteiro. Mas a ideia não foi aprovada pelos detentores dos direitos autorais de Hergé.

Em 1995, uma livraria belga colocou à venda 25 exemplares piratas do álbum de Rodier, com o selo das Editions Romméo - veja a capa à direita. Cinco anos depois, a versão pirata foi reeditada, contra a vontade de seu autor.

Há alguns anos, a versão de Yves Rodier foi colorida e traduzida para diversos idiomas, como inglês, francês e espanhol. Este é o mesmo álbum que o blog publica semanalmente, trazendo pela primeira vez para o Brasil uma versão recolorida e traduzida para a nossa língua. A nossa adaptação do álbum é feita com base nas versões em inglês e francês, disponíveis na internet.

Apesar de ser uma das melhores versões da Alfa-Arte, pra não dizer a melhor, nunca vamos ter certeza se é assim que Hergé queria que a história fosse, ou se ao menos ele aprovaria a adaptação.

ENSBA

Esta terceira versão é, certamente, a mais rara. Produzida entre 1988 e 1989 por estudantes de Belas Artes de Paris, é a mais avançada graficamente, e só está disponível em CD-ROM. As páginas foram feitas em pranchas de 30 x 25 e digitalizados a 360 dpi em escala de cinza.

Os artistas envolvidos nesta versão decidiram não tentar terminar a história, mas finalizá-la no mesmo ponto onde Hergé parou, na cena em que Tintim é levado para a morte. Esta versão toma o cuidado de explicar que foi produzida por simples prazer, e não com o objetivo de ser mais uma publicação clandestina.

Uma nova edição oficial

Em 2004, a Casterman resolveu lançar uma nova edição do álbum, dessa vez mais caprichada. Com um layout totalmente novo, o álbum traz uma capa dourada e mistura eboços de Hergé com textos e desenhos ampliados para destacar partes da história. O formato é o mesmo dos álbuns tradicionais: um livro de capa dura, com sessenta e duas páginas. Esta versão foi publicada no Brasil em 2008 pela Companhia das Letras.

Uma das novidades da edição de 2004 foi a inclusão de nove páginas, apresentando ideias alternativas para a história. As mais significativas são as seguintes:

.: Uma mudança de estilo de vida para o Capitão Haddock. Apaixonado pela obra de Ramo Nash, ele muda seu estilo de vestir, transforma sua casa, planta maconha e estoca haxixe nos porões de Moulinsart. Tintim e Haddock são presos, sob acusação de tráfico de drogas, e uma investigação é iniciada em Amsterdã.

.: Pintura e narcóticos: Uma grande festa é realizada na embaixada de Sondenésia, com a presença de embaixadores de diversos países, incluindo San Teodoro, Bordúria e Syldavia. O Dr. Krollspell (veja Voo 714 para Sidney) faz uma aparição, como diretor de uma fábrica de açúcar mascavo.

.: O Capitão Haddock sofre de neurastenia, pois já não pode beber uísque. Nesse meio tempo, ele se apaixona pela obra de Ramo Nash. O Prof. Girassol inventa um produto que supostamente permitirá que Haddock volte a beber. Mas quando o remédio é testado, faz o Capitão perder todo o seu cabelo e ganhar manchas no rosto.

.: A possível verdadeira identidade de Endaddine Akass é revelada: Rastapopoulos. Não é algo confirmado, mas especula-se que Hergé realmente queria usar esta ideia.

.: Outra revelação presente nas páginas descobertas é que Endaddine está envolvido com o Emir Ben Kalish Ezab, o que também não fica muito claro.

.: Uma das páginas alternativas traz a imagem de Rastapopoulos - que apareceria entre as páginas 39 e 40.

.: Haddock é convidado para uma exposição de Ramo Nash. Uma série de velhos conhecidos participa, como Dawson (O Lótus Azul), os irmãos Pardal (O Segredo do Licorne) e Carreidas (Voo 714 para Sidney).

.: Uma das páginas mostra uma anotação de Hergé, na verdade uma dúvida, que poderia levar a história um feliz desfecho: 'Tintim só será salvo graças a... Milu? Haddock? Ao professor? A...?' - infelizmente ficamos sem a resposta...

Outras versões

Além das versões listadas acima, existem várias outras, algumas produzidas por fãs, outras por aproveitadores. Algumas delas chegaram a ser publicadas, e entre as mais populares podemos citar os pastiches de Hémo (um dos mais procurados - e caros - em feiras de quadrinhos europeias) e Régric (pseudônimo de Fréderic Legrain), de 1995. Assim como aconteceu com Yves Rodier, o trabalho de Régric agradou aos antigos colaboradores de Hergé, como Bob de Moor.

Veja abaixo algumas versões de Tintim e a Alfa-Arte através de uma vinheta presente na página 3 do álbum e compare com original de Hergé. Apesar de o estilo do criador ser mantido, é visível a diferença no traço de cada artista.

Até um rascunho do mestre supera as cópias finalizadas...

O artista anônimo decepcionou bastante em sua versão "improvisada" da Alfa-Arte.

Já o jovem Rodier conseguiu agradar, criando um final à altura da obra.

Este foi um dos artistas que soube copiar de forma mais precisa o traço de Hergé.

A versão de Hémo é uma das mais procuradas pelos tintinófilos na França e Bélgica.

Esta é a nossa versão, sobre o desenho de Rodier. Publicada aqui semanalmente.

E tem mais...

Na próxima parte do nosso especial, você confere uma entrevista exclusiva que o desenhista Yves Rodier concedeu ao blog. Fique ligado, pois a terceira parte vem mais cedo: é nesta quarta, no único blog brasileiro dedicado à obra de Hergé!

Peter Jackson: 'O filme será o mais fiel à obra de Herge'

Peter Jackson esteve em Londres para o lançamento de seu novo filme Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones). No país da rainha, o diretor de The Adventures of Tintin: Secret of the Unicorn concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Hugh Dayez, da TV belga RTBF. Um dos principais assuntos, é claro, foi a adaptação hollywoodiana das Aventuras de Tintim.

Jackson voltou a contar os motivos de, junto com Spielberg, ter escolhido a técnica de captura de movimentos (utilizada mais recentemente em Os Fantasmas de Scrooge, de Robert Zemeckis) para levar Tintim às telonas. Nessa técnica, o computador registra os movimentos dos atores e formam uma espécie de esqueleto do personagem, que depois é "vestido" em computação gráfica. É por isso que o filme levará tanto tempo para ficar pronto, já que a pós-produção envolve muito trabalho.

"Nosso filme sobre Tintin será o mais fiel à obra de Hergé"

Empolgado, Peter Jackson explicou: "A única alternativa possível para mim era um filme live-action [com atores reais em cena]. Mas eu percebi que, ver os atores interpretando Tintin e o Capitão Haddock, isso produziu uma impressão estranha, pouco convincente. Mas, com o 'motion capture', nós podemos desenvolver a nossa ideia: pegar os desenhos de Hergé e transportá-los a um mundo em três dimensões, mantendo a estética dos álbuns... É como se suas pranchas originais viéssem à vida! Cada rosto, cada elemento de decoração, cada carro, cada edifício é extraído de suas páginas de quadrinhos. É realmente muito fiel à sua arte!"

Jackson responde também como Tintim, cuja fama é considerada mais regional do que internacional, conseguiu atrair os famosos diretores de Hollywood. "É muito simples: quando eu era criança e lia esses álbuns, eu queria ser Tintin!" exclama. "Ele viveu todas as aventuras que eu poderia sonhar! E na fase adulta, esse sentimento nunca acabou! Isto que é incrível com Tintin: ainda hoje, quando leio um álbum, eu me sinto mal com ele, assim como quando eu tinha oito anos... Essa é realmente uma das peculiaridades da fascinante arte de Hergé!"

A matéria confirma que a gravação do longa está concluida. O processo durou apenas algumas semanas, visto que foi realizado sem figurinos ou cenários. Também é tirada uma dúvida que ainda pairava no ar: o filme será baseado não só em O Caranguejo das Tenazes de Ouro e O Segredo do Licorne, como também em O Tesouro de Rackham, o Terrível (bem que eu desconfiei!). Segundo o entrevistador, o cineasta neozelandês deu a entender que não esquecerá de Bruxelas, cidade natal de Hergé - e por que não dizer de Tintim, também?!

'As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne' tem estreia marcada para outubro de 2011. Não deixe de acompanhar todas as informações sobre o longa aqui, no único blog brasileiro dedicado à obra de Hergé.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

'Tintim está pronto', diz Peter Jackson

Mas calma, que ainda falta muito para ver nosso herói nas telonas! Na verdade, em recente entrevista, o diretor Peter Jackson falou sobre seu próximo trabalho, O Hobbit, e como não poderia deixar de ser, comentou também sobre o andamento da adaptação de Tintim para os cinemas: "Sim, o filme existe, de certa forma, mas num estado muito primário".

Apesar de estar 'pronto', o filme ainda vai levar quase dois anos em processo de pós-produção, pois o que Jackson tem em mãos é apenas a matéria-prima. Ou seja, as cenas gravadas em motion-capture já foram devidamente montadas, editadas - só falta passar pelo processo de renderização, que consiste em transformar uma captação de imagem em um frame do filme, um dos processos mais demorados de uma produção cinematográfica. Enquanto isso acontece, Jackson trabalha também na adaptação de "O Hobbit", que está em fase de pré-produção. O diretor e sua equipe atualmente procuram locações na Nova Zelândia, onde ocorrerão as filmagens.

Lembrando que a primeira imagem de Tintim será exibida em janeiro de 2010, num festival de quadrinhos na França.

Agradecimentos: Objectif Tintin. Editado em 29/11/09 com informações do site Cinema com Rapadura.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Você pergunta, o blog responde!

Vez por outra os leitores do blog mandam e-mails com críticas, sugestões e, principalmente, dúvidas sobre Tintim. E eu sempre faço questão de responder, mesmo que isso demore algum tempo. Agora decidi que vai ser assim: sempre que surgirem perguntas mais curiosas, sobre assuntos interessantes, é claro, não vou apenas enviar a resposta ao leitor, como também publicá-la aqui no blog.

Para começar, trago aqui as respostas à leitora Luciana, que está fazendo um trabalho sobre o álbum O Tesouro de Rackham, o Terrível. Ela perguntou se (1) o ator Gad Elmaleh fará o papel do vilão Rastapopoulos e (2) em que ano se passou a história, para poder saber o que estava acontecendo no mundo real e se o autor utilizou algum fato histórico para elaborar o roteiro.

Bom, respondendo às perguntas:

1. O ator marroquino Gad Elmaleh (foto) interpretará o vilão Omar Ben Salaad, e não Rastapopoulos, no longa The Adventures of Tintin: Secret of the Unicorn. Na verdade, este último nem mesmo está presente no álbum 'O Tesouro de Rackham'.

Além disso, os álbuns que estão sendo adaptados para o cinema, segundo divulgado, são O Caranguejo das Tenazes de Ouro (de onde provavelmente será retirada uma única cena, a do primeiro encontro entre Tintim e Haddock) e O Segredo do Licorne. Apesar dessa informação, eu creio que é bem provável que 'O Tesouro de Rackham' esteja no longa, já que outros títulos estão sendo especulados para o segundo filme da trilogia - como As 7 Bolas de Cristal e O Templo do Sol). Sem contar que a história do primeiro filme ficaria bem mais concreta se apresentasse início, meio e fim...

2. 'O Tesouro de Rackham', continuação de 'Licorne', foi concebido no ano de 1944. Na minha opinião, pelo menos, o contexto histórico não tem muito a ver com a aventura, que basicamente trata da busca de um tesouro pirata e mostra a mudança do Capitão Haddock para o Castelo de Moulinsart, que herdou de seu antepassado, Sir Francis, o Cavaleiro de Hadoque.

É bem provável que o personagem Rackham, o Terrivel, inimigo nº 1 do Cavaleiro de Hadoque, tenha sido baseado no pirata inglês John "Calico Jack" Rackham, que realmente existiu, no século XVIII.

Outra curiosidade relevante é que a história se passa por volta de 1942, época da ocupação nazista na Bélgica. Tintim e Haddock embarcam no navio "Sirius" rumo a uma ilha deseconhecida, supostamente localizada no Caribe, ao norte da República Dominicana (chega-se a essa conclusão levando em conta as coordenadas: 20º37'42" N - 70º52'15" O). Isso é digno de nota porque os americanos jamais deixariam uma embarcação estrangeira - movida a vapor, ainda por cima! - chegar tão perto de seu território em plena Segunda Guerra Mundial...

Espero ter ajudado a colega. Quem tiver mais curiosidades sobre o contexto histórico de "O Tesouro de Rackham, o Terrível", entre em contato.

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